Você já sentiu que havia descansado nas férias mas bastou um dia de trabalho para voltar a sentir-se inundado por todo o estresse existente no mundo?
Há milhares de anos o nosso cérebro funciona assim: ele gruda como velcro nos acontecimentos negativos e acaba esquecendo rápido os mais positivos.
E você já se perguntou o porquê disto?
Não é por acidente que isso ocorre, e sim por um mecanismo da evolução, pois para sobrevivermos às intempéries da vida tivemos que aprender a valorizar e superar obstáculos e, de certa forma, graças a esse mecanismo, sobrevivemos.
Sabia que uma parte do cérebro, chamado de sistema límbico relacionado a emoções, surgido há bastante tempo no processo de evolução, é responsável por este instinto de sobrevivência?
Por outro lado, uma área mais externa, intitulada córtex cerebral e relacionada à razão, desenvolveu-se muito nos últimos milênios, como a área responsável por pensamento racional, organização e planejamento entre outras funções.
Enquanto houver um equilíbrio entre esse sistema límbico e o córtex, haverá harmonia entre emoção e razão.
Mas como manter a razão (sem entrar em pânico) e a estabilidade emocional (sem ser inundado por sentimento) numa rotina frenética?
Pois é… treinar a atenção para viver o presente, percebendo cada momento como ele é. Sentindo o que se está sentindo pode ser um caminho para esse sonhado equilíbrio. É um caminho fácil? Ninguém disse que seria! Simplesmente é um caminho e, portanto, exige também uma escolha prévia!
O desenvolvimento da atenção plena é um caminho contínuo, que se dá por meio de um programa específico, no qual o aprendiz pode vivenciar e seguir desenvolvendo essa presença nos seus aspectos cotidianos.
A escolha de estar no momento presente traz a percepção de sensações, sentimentos, pensamentos e até mesmo de impulsos que antes passavam despercebidos para a luz da consciência.
Essa escolha envolve mais que um treino, envolve um estilo de vida com um interesse genuíno, com uma atitude gentil, curiosa e acolhedora em relação ao que quer que esteja acontecendo. Dessa forma, você pode escolher o não brigar da razão com a emoção, e mais, pode escolher não grudar nos aspectos negativos, mas optar por valorizar os momentos agradáveis e realmente relevantes.
Ficou com vontade de praticar? Comece hoje fazendo três respirações conscientes a qualquer momento do dia, ou se preferir, meditando um minuto por dia. Faça a sua escolha e depois me conte como isso repercute na sua vida. Até o próximo post!
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Médica Neurologista com formação em Medicina (1989-1995) na UFC (Universidade Federal do Ceará) e Residência Médica na Neurologia da USP-FMRP, onde também concluiu a especialização em Neurofisiologia Clínica (1996-2000). Possui título de Especialista emitido pela Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica – Associação Médica Brasileira na área de Eletroencefalografia.
Mestra em Neurologia pela USP-FMRP, com trabalho que foi contemplado com o Prêmio Nacional Arnaldo de Láscio em Epilepsia Infantil.
Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP, com trabalho premiado em âmbito internacional, Younger Investigator Award, na Alemanha, Medicina do Sono.
Desenvolve o programa educativo de Mindfulness aplicado do movimento ao sono EM DIA COM A NOITE. Redige o blog educativo MEDITASSONO sobre sono, neurociência e meditação.